segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Os Políticos e as Redes Sociais

Quando se pensa na associação entre redes sociais e política, o grande exemplo que vem à mente é o do atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Ainda nas prévias, o então candidato criou uma plataforma virtual que revolucionou o modelo de interação entre candidatos e sociedade.

A estratégia era simples: conscientizar e empoderar a sociedade através do uso das redes sociais, criando um conjunto de recompensas que só eram validas no ambiente virtual. Além de conseguir votos entre os diversos segmentos da sociedade estadunidense (e a consequente vitória nas urnas), o site foi um importante instrumento para a captação de recursos da campanha. A velha máxima que diz que “de grão em grão, a galinha enche o papo” nunca foi tão apropriada: com doações mínimas, chegou-se ao montante de 500 milhões de dólares, quase 1 bilhão de reais!

Mas também há exemplos negativos: na Inglaterra, em uma fatídica conversa do primeiro-ministro Gordon Brown com uma eleitora impetuosa, várias críticas foram feitas ao governo. Apesar de tê-la ouvido silenciosamente, quando entrou em seu carro, esquecendo-se que o microfone estava ligado, o premiê fez comentários, no mínimo, inapropriados. O feito virou sucesso no YouTube, desgastando a imagem do político e ajudando na eleição de seu adversário político, o conservador David Cameron. Este, por sua vez, não só continuou o que os antecessores estavam fazendo em relação a interação e uso da internet e redes sociais como, durante a campanha, deu palestras políticas no conceituado TED.com, virando um dos mais acessados na plataforma.

Dá pra fazer política no Brasil pelas redes sociais?

No Brasil, esta tendência chegou, mas não pegou. Esperava-se que 2010 fosse o ano das eleições virtuais, mas o que se viu ainda está longe do que ocorreu na terra do Tio Sam. Enquanto Obama quebrou paradigmas criando uma rede social focada na construção de um projeto de país, os políticos brasileiros pegaram o que não era revolucionário de sua ideia e o resultado foi pífio: Marina Silva arrecadou pouco menos de 250 mil reais, a plataforma colaborativa de José Serra focava mais na coleta de cadastros do que na participação das pessoas e a campanha de Dilma Rousseff simplesmente não levou as redes sociais a sério.

Mas as eleições municipais de 2012 vêm aí e, mais cedo ou mais tarde, o assunto voltará à tona. Alguns políticos já estão online, mas ainda não conseguem discutir com a sociedade o que ela realmente quer. Enquanto isso, a sociedade continua se mobilizando, elaborando as próprias pautas de discussão, independente da presença de políticos. Exemplo disso é a criação da plataforma WebCidadania (www.webcidadania.org.br), que concentra as principais iniciativas de participação popular em todo o país.

Será que os candidatos continuarão achando que vencerá aquele que tiver somente a melhor campanha de marketing?

Neste caso, conectar-se com a sociedade é preciso! 

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