segunda-feira, 28 de março de 2011

A Banda Larga Lá e a Banda Larga Cá

Já se passaram pouco mais de duas semanas, desde que parte do Japão foi arrasada pelo terremoto de 8,9 graus na escala Hichter e pela consequente tsunami que se formou no oceano Pacífico. Desde então, o mundo tem acompanhado, dia após dia, a luta da população japonesa para superar o luto (o numero de mortos e desaparecidos chega a 10 mil) e reerguer parte da infraestrutura que foi totalmente destruída.

No que diz respeito à infraestrutura japonesa, o destaque apresentado pela imprensa internacional foi a reconstrução, em apenas seis dias, de uma estrada que tinha sucumbido totalmente à força da natureza. Para a Equipe Réseau, porém, o ponto que merece maior destaque é a qualidade da infraestrutura de TI, decisiva no contexto da tragédia, e que se refletiu de forma significativa no comportamento das pessoas. Se, de um lado, vários vídeos foram postados no YouTube, mostrando os diversos pontos de vista sobre o contexto, de outro, o Twitter e as demais redes sociais foram sinônimo de alívio para centenas de famílias que se viram sem notícias de seus parentes e amigos. Servindo de alternativa aos problemas encontrados nas redes de telefonia fixa e móvel, listas de desaparecidos foram elaboradas em portais da rede, ao mesmo tempo em que os diversos veículos de comunicação também abriam espaço, via redes sociais, para que as pessoas divulgassem seu paradeiro.

Enquanto isso, o Brasil, país da diversidade, mas também da complexidade, convive com dois extremos: o crescimento em níveis chineses do número de novos consumidores virtuais e do faturamento destas transações contrasta com a ausência de uma boa infraestrutura de TI. Mesmo pensando que, nos próximos anos, o Brasil receberá os mais importantes eventos esportivos do mundo, é difícil acreditar em melhorias, por exemplo, nos serviços de banda larga, algo tão básico na economia digital.

E para que não se diga que estamos exagerando, quem não se lembra das panes no Speedy® ocorridas em 2008 e 2009, que deixaram mais da metade do estado de São Paulo sem conexão e culminaram na suspensão das vendas do serviço por mais de 3 meses? Quem não passou, pelo menos uma vez, por problemas de instabilidade, baixa qualidade e velocidade na conexão com qualquer outro provedor desse tipo de serviço? O cenário tem melhorado, é verdade, mas ainda a passos muito lentos.

Para os que acreditam que o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) solucionará todos os problemas de infraestrutura de TI no país, vai o banho de água fria: se, para o governo, a velocidade de 600Kbps já é considerada banda larga, o fato é que, na prestação do serviço, as empresas são obrigadas, por contrato, a garantir apenas 10% deste valor. No fim das contas, paga-se 600, mas se leva 60.

O que minha empresa tem a ver com isso?

Críticas à parte, mesmo considerado que a banda larga não será a dos sonhos, é fato que a economia digital, o comércio eletrônico e as redes sociais continuarão crescendo no Brasil pelos próximos anos. Tudo graças à ascensão social de um maior contingente populacional, inclusive no interior do país. Sendo assim, não basta perceber que a infraestrutura de TI no Brasil ainda possui deficiências, mas também é necessário compreender que o Brasil é especialista em crescer “apesar de si próprio”, e que isso ainda terá implicações significativas no mundo dos negócios. E, para estar preparado, você deve continuar investindo em suas competências digitais, mesmo não sendo diretamente ligado à área de tecnologia, e definir como será a sua atuação neste cenário que se desenha.

No fim das contas, compreender o cenário é preciso!

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