segunda-feira, 18 de abril de 2011

O Governo e sua Empresa: mais parecidos do que você imagina...

Difícil de acreditar? Ou é mais fácil se convencer de que nenhuma prática empresarial serve para o governo porque ele não busca o lucro e sim o bem-estar da sociedade?

Os governos municipais, os governos estaduais e o governo federal são como empresas porque sabem a realidade de seus clientes e vendem produtos e serviços. Usam o capital de outros (advinha de quem?), fazem empréstimos, têm sócios, têm planos de negócios e planos de marketing – isso mesmo, para se inserirem no mercado e convencerem seus usuários, mesmo que como monopólios.

Suas diretrizes, valores, missão e competências não vêm no formato que usamos na empresa. Estão num documento solene, de linguagem e forma de difícil acesso, mas que nem por isso deixa de representar os interesses dos acionistas e um tipo especial de plano estratégico. Governos são esforços de pessoas para fins determinados. E nisso, não diferem das empresas.

Às vezes o governo busca o lucro? Esse lucro do mercado, da venda, da mão invisível, estaria presente nas atividades do governo?  A resposta é sim, e não apenas para as empresas públicas e sociedades de economia mista que “atuam no domínio econômico”. Vale para todas as repartições, as secretarias, as autarquias e as fundações públicas.

O fenômeno que não enxergamos é: alguns governos, no todo ou em partes, entendem, e algumas empresas também, que lucro nem sempre vem expresso em numerais. E desse entendimento parcial vem o descompasso. Por um lado, sabemos que o benefício de uma escola não está apenas no gasto público realizado para construí-la e mantê-la. É fácil ver para quem vai o lucro nesse caso. Por outro lado, estamos acostumados a ver os governos como uma equipe de executivos descoordenados cujos chefes mandam sinais confusos e ordens aparentemente desconexas o tempo todo. É interessante para alguns que seja assim. Deixamo-nos convencer que um funcionário público é como o administrador dos bens de uma empresa. Isso é verdade. Mas esquecemos a nossa parte nessa empresa, como acionistas com contribuição regulares.

Se você tivesse uma empresa usaria técnicas de gestão do século XIX para administrá-la? Vários “pedaços” do governo, vistos como pequenas empresas e áreas de atuação de determinados executivos, responderiam que sim. Se os seus acionistas não o controlassem, você usaria ganhos da empresa para satisfazer interesses pessoais? Como bom capitalista, você agiria racionalmente em seu interesse naquilo que a lei deixasse. E mesmo se não houvesse lacuna legal, você sabe que alguns colegas seus não teriam barreiras morais em destinar os lucros para interesse próprio – parte do mundo corporativo aceita e estuda esses comportamentos. Por que nos governos eles seriam diferentes? Para quem vai o lucro – não necessariamente financeiro – nesses casos?

Como todas as organizações, os governos são afetados pelo ambiente que se inserem. A resposta à sua deficiência de gestão é complexa. Mas, partindo dessa premissa de sistema aberto e das situações acima visitadas, uma parte da resposta é clara: falta controle social. E essa constatação baseia-se em outro fato sobre essa empresa curiosa: fazemos parte dela.

A partir daí, é fácil afirmar: é preciso tomar atitudes pela mudança!

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