segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Existiria o "Midas Técnico"?

Há quem acredite que a dimensão técnica pode ser separada da dimensão política. Outros reforçam essa ideia mesmo sem acreditar nela. Repetem a crença midiática de que alguém com um perfil técnico pode ocupar um cargo vago por ministro acusado de corrupção. E assim, com um toque do "Midas Técnico", esse substituto imunizaria o ministério, livrando-o de todos os crimes contra a Administração Pública que lá ocorriam.


Vimos aqui que a corrupção permeia espaços em todo o sistema hierárquico público. E também que vencê-la nem sempre faz parte do interesse comum. E por que ela não estaria também nos aspectos técnicos? Ora, nesse mundo de argumentos numéricos irrefutáveis e de correntes teóricas contrárias entre si fica fácil adaptar o discurso técnico ao discurso político, ou vice versa. Uma dimensão pode servir à outra sem complicações, mediadas por seres humanos que são, sempre, sujeitos com interesses. E mais, isso pode ocorrer de modo dissociado da existência de fins corruptos.


Nesse caminho, instituições acadêmicas e fundações de pesquisa atuam com fins políticos. Linhas de pesquisa são determinadas também por interesses políticos. No limite, as vagas de acesso a doutorados, mestrados e demais programas de pesquisa também se sujeitam a interesses políticos.


E você, Empresário, sabe que consultorias e, como demonstram alguns escândalos, até empresas de auditoria, funcionam no mesmo sentido. Então, por que esperar que nas organizações públicas seria diferente?


Mudanças são necessárias. Mas antes delas precisamos de um diagnóstico completo, com menos viés, e, essencialmente, menos ingenuidade quanto à dinâmica do serviço público.

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