segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A Banda Larga Lá e a Banda larga Cá (2)

No dia 28 de março, a Equipe Réseau discutiu com você como o desempenho da internet banda larga no Japão, mesmo após os terremotos que afetaram a região da usina de Fukushima, era superior ao brasileiro em condições normais. Destacou-se que as pessoas estavam utilizando as redes sociais para elaborar listas de desaparecidos e pessoas encontradas e hospitalizadas, além de enviar notícias a parentes e amigos situados em outras regiões do país e do planeta.

Hoje, a qualidade da internet brasileira voltará à pauta deste blog, já que é imprescindível para o crescimento do uso e a ampliação das potencialidades das redes sociais que a infraestrutura disponível atenda à demanda da população por conectividade. Desta vez, serão utilizados os dados da Net Index, empresa que compara e elabora um ranking mensal do desempenho da internet em todo o planeta, baseado em testes realizados pela Speedtest.net, no que se refere a variáveis como taxa de upload, índice de qualidade, índice de valor e índice de promessa. Considerando que a principal métrica de qualidade da internet, e que afeta sensivelmente esta percepção na perspectiva dos consumidores é a taxa de download, será a partir dela que será conduzida esta análise. 

Como não poderia deixar de ser (afinal de contas, é claro que não houve melhoras significativas na internet brasileira ao longo dos últimos seis meses), e considerando a posição econômica do Brasil no cenário mundial, os números relativos à taxa de download podem ser considerados, no mínimo, preocupantes. Se, por um lado, a média mundial de velocidade de download de 9,17 Mbps pode deixar o Brasil (5,87 Mbps) numa situação não tão desconfortável, constatar que o país ocupa a posição número 63 no ranking global não é nada animador. Tristeza que aumenta ao se constatar que vizinhos latino-americanos como Trinidad e Tobago e Chile estiverem nas posições 52 (7,11 Mbps) e 57 (6,61 Mbps), respectivamente, e que o primeiro colocado da lista, a Lituânia, possui a assombrosa taxa de 32,41 Mbps.

Comparando-se as principais cidades do planeta, São Paulo aparece como segunda colocada quando se trata do número de endereços IP disponíveis, com quase 1,5 milhão de unidades. Sua taxa média de download é de 6,81 Mbps, cerca de 1 Mbps maior que a média nacional, mas muito longe das 30 maiores "velo-cidades" do planeta (única lista disponibilizada pelo site). Só para que você tenha uma ideia, Québec, no Canadá, que ocupa a posição de número 30 entre as maiores "velo-cidades", tem taxa de 17,92 Mbps, quase duas vezes e meia a paulistana. Vilnius, na Lituânia, é a pole-position, com 36,85 Mbps médios, quase seis vezes mais!

Pensar em inclusão digital e maior participação das pessoas nas redes sociais com taxas iguais a estas é bastante complicado. O desafio está mais do que lançado, e espera-se que o Plano Nacional de Banda Larga ajude a melhorar esse cenário tão desanimador. Se já somos um dos povos mais conectados do planeta com essas taxas pífias, o que dizer quando atingirmos níveis mais condizentes com nossa pujança econômica?

No fim das contas, cobrar melhorias é preciso!

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